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Como definir tão inebriante bebida? Poção do amor, bálsamo, elixir de longa vida, beberagem misteriosa dos alquimistas? Talvez os licores, misteriosamente, sejam um pouco de cada suposição. Independente do codinome que receba, o importante é adentrar a esse universo delicioso e tirar dele todo o prazer que essa bebida pode nos dar.

Quanto a sua origem, a criatividade do povo vai ainda mais além que sua própria definição. Conta à lenda que uma jovem desprezada pelo seu grande amor, tentou reconquistá-lo de todas as maneiras. Percebendo que todos os seus esforços eram inúteis, resolveu preparar uma mistura de frutas e ervas finas, extraindo uma bebida adocicada, saborosa e afrodisíaca.

Se conseguiu conquistar o jovem, ninguém sabe até hoje. Mas, com certeza, ela deixou para posterioridade uma bebida deliciosa.

Outra versão para a criação dos licores é atribuída às bruxas, as quais sob aparência de belas jovens, preparavam com frutas e ervas uma poção que tinha o misterioso poder de unir para sempre os casais de amantes.
Deixando de lado a fantasia, a versão mais provável da origem dos licores é que eles nasceram nas poções caseiras e xaropes de ervas medicinais e frutas que as mulheres do povo faziam para curar os mais diversos males do estomago, tosse entre outros.

Entrando pela história, encontramos os chineses, há mais de 800 a.C. com o hábito de tomar uma bebida destilada, preparada a partir da fermentação de arroz, muito parecida com o licor. Também, muitos países europeus, tais como Grã-Bretanha, França, Itália e alguns outros, produzem, desde épocas remotas, bebidas semelhantes ao nosso LICOR.
Mas o grande incremento na fabricação de licores deu-se com o processo de obtenção do álcool através de destilação e fermentação, desenvolvidos pelos árabes no século X. A partir dessa data, os alquimistas árabes resolveram usar o álcool nos seus medicamentos preparados com ervas medicinais, abrindo caminho para que se fabricassem famosas bebidas.
Posteriormente, o alquimista catalão Arnould Villeneuve, no ano de 1250, conseguiu pela primeira vez extrair os princípios aromáticos das ervas, deixando-as em maceração no álcool, conservando a essência e todas as propriedades. Esse procedimento permitiu que conhecêssemos o licor tal como o conhecemos hoje.
Aos monges, devemos à descoberta dos licores mais famosos do mundo. Conta-nos a história que, no século XVI, aproximadamente no ano de 1510, foi criado pelo monge beneditino D. Bernardo Unicelli, na cidade de Fechamp, na França, o famoso licor Bennediettine, composto por vinte e sete ervas. Aos monges cartusianos devemos à descoberta do licor Cartreuse, composto por 130 ervas diferente, conhecido internacionalmente por sua leveza e sabor. Também o Amaretto, preparado a base de amêndoas doces e mel, está entre os três licores mais conhecidos e requisitados do mundo. Todas essas receitas são guardadas até hoje sob sete chaves.
No Brasil, nas belas fazendas dos tempos imperiais, bás e mucamas dos grandes senhores de engenho, fizeram descobertas de receitas extremamente saborosas, dadas não somente pela variedade de sabor o odor das frutas aqui encontradas, mas pela criatividade de nossas cozinheiras.